22/09/2013

Utilização de Armas Químicas em Guerras



Armas Químicas são armas fabricadas por processos químicos que sintetizam moléculas que causam danos aos seres vivos. Envenenamento como tática de guerras é algo usado desde a antiguidade. Os gregos envenenavam as pontas das flechas há mais de dois mil anos. Na índia, em 2000 a. C. era comum usar cortinas de fumaça, dispositivos incendiários e vapores tóxicos em guerras. Há relatos de que os espartanos colocavam madeira impregnada com enxofre e piche ao redor dos muros de cidades inimigas, criando vapores sufocantes.

Essas armas não convencionais tiveram um papel importante na Primeira Guerra Mundial (principalmente o gás mostarda). Em 1915, o cientista alemão Fritz Haber teve uma ideia para obrigar as tropas inimigas a sair da proteção das trincheiras e aceitar o combate a céu aberto: espalhou gás cloro num front perto da cidade belga de Ypres. Foi uma devastação - 5 mil desprevenidos soldados franceses foram mortos e outros 10 mil ficaram feridos. Fato que rendeu certa notoriedade ao cientista. As mortes provocadas por armas químicas na Primeira Guerra somam mais de 100 mil, e 1,3 milhão de feridos.


O Protocolo de Genebra (1925) proibiu o uso de armas toxicas e métodos biológicos para fins bélicos. Vários países assinaram o acordo, porem as negociações foram interrompidas com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, sendo retomada só com o fim da Guerra Fria na Convenção de Armas Químicas (CWC) em 1993. No ano seguinte foi criada a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) encarregada de supervisionar a destruição de arsenais químicos e assegurar a não fabricação, armazenamento ou uso de tais armas.

Muitos países utilizam fábricas de inseticidas e pesticidas como fachada para a produção de armas químicas. Recentemente por exemplo, descobriu-se na Líbia uma fábrica de armas químicas disfarçada de indústria farmacêutica. Há evidencias, também de que a Síria fez uso de “gases neurotóxicos” na periferia de Damasco, matando 1429 civis, sendo deles 426 crianças.
Só mais perverso que o uso de armas químicas, é o uso de armas biológicas e nucleares.

- Fernando Lima Ribeiro

O Nacionalismo, novas fronteiras e a vontade interior.


Ao longo dos anos, a história do mundo foi marcada por diversas fragmentações de territórios e nações. Novas fronteiras surgem, ou lutam pelo seu reconhecimento. Recentemente foi noticiado sobre o plebiscito que ocorrerá em setembro de 2014, que irá tratar questões sobre a independência da Escócia, país que hoje pertence à Commonwealth of Nations e é integrado ao Reino Unido. Entre os motivos desta separação estão o fato do dinheiro público suficiente para a auto sustentação, o bom desempenho nas áreas de educação, justiça e saúde, além da rica e única cultura escocesa. Todavia, as relações exteriores comerciais e a defesa militar desta faixa norte da Grã-Bretanha ainda é mantida pelo governo britânico. 

Pesquisas realizadas na região revelam que a opinião dos escoceses é equilibrada, e que entre seus vizinhos ingleses, o favorecimento prevalece.
    
      
 Ruínas do castelo de Dunnottar na costa nordeste da Escócia. As mais de 2 mil fortificações espalhadas pelo território escocês, palco de 
diversas batalhas entre clãs, enalteciam a singularidade desta nação.

 O caso escocês não é único no globo, temos várias lutas pelo rompimento de laços entre países. Entre esses laços, muitos estão presentes desde o século XVIII, o período batizado por Eric Hobsbawn de a Era dos Impérios, tempo em que a disputa entre superpotências, a ebulição do capitalismo e a exploração de novos horizontes se destacaram. Outros laços instáveis prevalecem a cerca de disputas religiosas como no caso da Chechênia, território Russo em que predomina o Islamismo ou a Irlanda do Norte, que atualmente pertence ao Reino Unido e evidenciou ao longo dos anos divergências religiosa entre o Protestantismo e o Cristianismo. Essa vontade interior que mora dentro do coração de cada cidadão de se unir nacionalmente ganhou destaque nos palcos da 1ª Guerra Mundial com o revanchismo francês e a união dos países Balcãs com o leste Europeu e a Mãe Rússia. É uma demonstração de solidariedade com suas próprias raízes. O ser humano abandonou o nomadismo de seus ancestrais e se apegou a sua terra de origem, e a cultura nos vem demonstrando esse fato. No oriente médio, o Jihad, que erroneamente foi traduzido pelos europeus como “Guerra Santa” tem em seu significado e poder dessa vontade: “Uma guerra que vale a pena lutar”. Exemplos não faltam. A Soma de visões políticas-sociais com nacionalismo eclodiu na Revolução Francesa de 1789 no século XIX, era das Revoluções. A religião é visivelmente aceita como um gatilho para hostilidades na região da Terra Santa, onde a disputa entre Israelenses e Palestinos permanece desde o final do século XIX. 

Essas ideologias penetram no coração do indivíduo que a partir deste envolvimento desenvolve esse poder interior que nos controla e nos faz prisioneiros desses ideais. A busca para soluções destes conflitos é bem delicada, pois para uma entidade exterior não é fácil compreender a verdadeira questão que está em jogo. A invasão americana a fim de colocar um basta nas hostilidades sírias pode estar equivocada, assim como pode ser uma ajuda crucial para a oposição síria contra o regime de Bashar al-Assad.


- Ricardo Lima Ribeiro

Tratado de Versalhes e...

O Tratado de Versalhes foi o acordo realizado entre as potências européias no pós- Primeira Guerra Mundial. Nele havia exigências impostas à Alemanha para humilha – lá e enfraquece – lá militarmente, como por exemplo: 

- A devolução dos territórios da Alsácia-Lorena à França; - Proibição de funcionamento da aeronáutica alemã (Luftwaffe); - A redução da marinha alemã para 15 mil marinheiros, seis navios de guerra e seis cruzadores.

 Essa humilhação criou as condições ideais para a germinação e propagação do espírito do revanchismo alemão. A indenização absurda enterrou de vez a economia alemã, já abalada pela guerra. As décadas de 1920 e 1930 foram marcadas por forte crise moral e econômica na Alemanha (inflação, desemprego, desvalorização do marco). Terreno fértil para o surgimento e crescimento do nazismo. Após assumir o poder Hitler atua implacavelmente em menos de um ano contra todos os movimentos oposicionistas (sociais-democratas, comunistas e liberais) dando início à "Revolução Nacional-Socialista" que tinha como objetivo fazer a Alemanha retornar ao grau de potência européia.

 Para se tornar uma potência européia novamente era necessário romper com o tratado de Versalhes, pois este impedia a conquista do "espaço vital", como o rearmamento. Atenuava-se o desemprego e atendia-se necessidades da poderosa burguesia financeira e industrial da Alemanha. Para evitar a má vontade das potências ocidentais, Hitler coloca-se como campeão do anti-comunismo a nível mundial, assinando com o Japão (novembro de 1936) e com a Itália (janeiro de 1937) o Pacto Anti-Comintern - cujo fim é ampliar o isolamento da URSS e, quando for possível, atacá-la.

 A crise econômica que se abate sobre o sistema capitalista mundial a partir de 1929, vai ser o fator mais poderoso para que um novo arranjo do poder em escala mundial seja pleiteado.

 A crise levou os países capitalistas a tomarem medidas protecionistas visando salvar os mercados internos das importações estrangeiras, ocorrendo uma verdadeira guerra tarifária. A produção mundial reduziu-se em 40%, sendo que a diminuição do ferro atingiu a 60%, a do aço 58%, a do petróleo 13% e a do carvão 29%.

 O desemprego grassou nos principais países industrializados: 11 milhões nos Estados Unidos, 6 milhões na Alemanha, 2 milhões e meio da Inglaterra e um número um pouco superior na França. Não está longe da verdade, o fato ter provocado a aflição e o desemprego em mais de 70 milhões de pessoas (contando-se os seus dependentes). Como a economia já estava suficientemente internacionalizada (com exceção da URSS que se lançava nos Planos Qüinqüenais) todos os Continentes foram atingidos, aumentando ainda mais a miséria e o desemprego. A América Latina, por exemplo, teve que reduzir em 40% suas importações e sofreu uma queda de 17% em suas exportações.

por Pedro Esteves

1ª Guerra Mundial: A Guerra de Trincheiras


     O que é a guerra senão um jogo de estratégia? Quem vence, na verdade, não é o possuidor do maior exército, e sim aquele que manipula o seu próprio de forma mais hábil, e que analisa minuciosamente os movimentos do adversário, a fim de neutralizá-los. Como dizia Sun Tzu, autor do livro A Arte da Guerra, “A habilidade de alcançar a vitória mudando e adaptando-se de acordo com o inimigo é chamada de genialidade.”

GO, jogo que inspirou algumas das estratégias de guerra de Sun Tzu

     Nessa ideia podemos facilmente inserir a Primeira Guerra Mundial. Resultado de uma rivalidade entre potências capitalistas que buscavam satisfazer seus anseios usando o imperialismo como a forma de dominação de novos territórios, esse conflito em larga escala tem características peculiares no modo em que foi realizado, principalmente em sua segunda fase.

     Trata-se da Guerra das Trincheiras. Este tipo específico de guerra baseou-se na escavação de faixas no solo, as trincheiras, como forma de proteção e de circulação. Vale lembrar que nesse período o mundo estava em pleno avanço tecnológico em diversos setores, e um deles era a indústria bélica. Os combatentes, portanto, necessitavam de uma forma de evitar tiros de metralhadora, por exemplo, e de ainda sim circular e alcançar o inimigo.

     Por tudo isso, as trincheiras eram feitas de forma estratégica nas batalhas. Primeiramente, as condições do terreno eram fatores fundamentais na sua escavação. Caso o terreno não fosse tão favorável, barricadas com sacos de areia eram levantadas como forma de proteção. Tendo sido escavadas, elas eram cobertas. Algumas características as tornavam um meio de combate bastante estratégico, como o fato de ocultarem totalmente um homem de pé, que estaria em uma posição de fogo e protegido ao mesmo tempo.

O modelo das trincheiras

     Além disso, as trincheiras nunca eram cavadas em linha reta. Por esse motivo, um soldado em uma delas não enxergava mais de 10 metros à sua frente, o que era favorável tanto em invasões inimigas quanto no caso da explosão de uma granada, que causaria menos danos.

O posicionamento do soldado na trincheira

     Em suma, o que este modelo de combate fez foi principalmente tornar os conflitos mais estáticos, diferentemente de períodos anteriores, nos quais as infantarias atacavam com baionetas e apoio de cavalarias. Logo, já que mudava o estilo da guerra, quem se adaptasse melhor a este novo seria o vencedor.

     Apesar de ser um método de batalha aparentemente bem sucedido, ele caiu assim que a utilização de tanques e aviões de combate começou a ser feita nas guerras. E isso teve efeitos visíveis na 1ª Guerra Mundial, pois fez com que os aliados conseguissem quebrar as defesas alemãs na Frente Ocidental.


Texto por Rider Platon

E se a Segunda Guerra Mundial não tivesse acontecido?

Guerra Mundial: é um conflito capaz de afetar todos os países de alguma maneira. Nunca houve de fato uma guerra com envolvimento militar de todos os países, mas o envolvimento de países de preponderância no planeta gera conseqüências econômicas e políticas que afetam a ordem geral.

Assim, sem a Segunda Guerra Mundial o mundo inteiro seria afetado de alguma maneira. Passando a pensando apenas no Brasil podemos analisar alguns aspectos dessa interferência:

 Imagine-se em meados de 1939-1945, o Brasil se encontrava sobre um regime ditatorial regido por Getúlio Vargas. Já a Alemanha, o ditador Adolfo Hitler disseminava pelo mundo seus ideais nazistas (derivados do fascismo), mais tarde ele envelheceria e viraria um ícone.

camiseta com a estampa de Hitler
 O presidente Getúlio Vargas se aproximaria da Alemanha, assim ela tentaria lançar no Brasil o nazismo por meio de acordos econômicos, cooperação militar, programas culturais e agentes infiltrados em sindicatos. A operação teria início na Região Sul, por sua grande comunidade germânica. Se desse certo, daria espaço para uma grande federação fascista composta pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Tal federação se chamaria URFS (União das Repúblicas Fascistas Sul-Americanas).

 Ou seja, poderíamos ter vivido um turbulento período de injustiças, milhares de judeus, ciganos e outras minorias seriam mortos. É por conta de acontecimentos como o holocausto que as ideias como racismo e totalitarismo foram tão desacreditadas. Devemos ressaltar que na história do Brasil os nazistas não tiveram muitas dificuldades ao operarem em nossas terras por volta de 1930. Financiaram nossas escolas, mandaram espiões disfarçados de executivos e criaram células de seu partido. O ex-embaixador brasileiro Sérgio Correa da Costa no livro Crônica de uma Guerra Secreta, ainda afirma: “Os nazistas sonhavam transformar esse continente de mestiços em um protetorado alemão”. Tal sonho poderia ter se tornado realidade facilmente se alguém como o ministro da Justiça de Vargas, Francisco Campos (anti-liberal e autoritário) trombasse com Hitler. 

Alguns fatos:
-Na arte, o nazismo se manifestou pelo realismo, o que seria considerado sem graça em comparação às formas de arte atuais. Ou seja, nossa arte continuaria tradicional e realista ("sem sal"). Sendo assim, a famosa Pop arte e muitos outros estilos, não existiriam.

obra realista

-Na segunda Guerra Mundial muitas mulheres passaram a trabalhar enquanto os maridos iam para a guerra, o que foi fundamental para elas garantirem seu papel na sociedade, dando impulso aos movimentos feministas. Sem a guerra viveríamos em uma sociedade mais machista.

movimento feminista
-Na energia, a criação das bombas atômicas, uma arma de destruição em massa, se deu pela segunda guerra. Graças a teoria da relatividade de Einstein. No dia 16 de julho de 1945, foi possível o primeiro teste nuclear da história, realizado no deserto de Alamgordo, Novo México. Sua segunda e terceira utilização foi em Hiroshima e Nagasaki respectivamente, no Japão. Todas essas explosões resultaram em muitas mortes e efeitos a longo prazo da radioatividade. Com o tempo, esse tipo de conhecimento foi possível ser aproveitado, construindo usinas nucleares, as quais possuem uma alta capacidade de produção de energia. Ou seja, sem as bombas atômicas varias mortes seriam evitadas mas também muita energia deixaria de ser fabricada.

Curiosidade: só foi possível a criação da panela de teflon por conta do material ser usado para revestir tubos e vedações na produção de material radioativo para a primeira bomba atômica.

localização da primeira usina nuclear. (Rússia, cidade de Obninsk)
-Na tecnologia, o computador costumava ocupar salas inteiras e eram muito específicos. A marinha americana em conjunto com a Universidade de Harvard, desencolveu o Harvard Mark I. Posteriormente esse computador foi gradativamente diminuindo e ao mesmo tempo aumentando as suas capacidades até os dias atuais, nos quais podemos levar um tablet para todo lugar. Sem o primeiro computador tudo seria mais difícil.
o primeiro computador
-Na aviação, a crescente produção de aviões e o seu rápido desenvolvimento caracterizada pela segunda guerra não aconteceriam. Com a velocidade aumentada os caças a jato poderiam se locomover muito mais rápido. Mais tarde essa tecnologia foi adaptada para a aviação civil que permitiu o transporte intercontinental com mais facilidade e menos tempo.

aviões de guerra
-Na medicina, a descoberta da Penicilina se deu por um acaso. Durante a guerra um dos casos de morte mais comum eram as infecções decorridas dos ferimentos no campo de batalha. Assim o médico Alexander Fleming buscou solucionar esse problema, o que deu espaço para um novo capítulo na história, o fim das doenças infecciosas de origem bacteriana. Sem essa incrível descoberta a taxa de mortalidade aumentaria muito e o medo de ficar doente seria muito maior.

Alexander Fleming
-Os primeiros ambientalistas surgiram apenas a partir do inícios dos testes nucleares, decorrentes da Segunda Guerra Mundial. Assim as questões ambientais propostas por eles passaram a promover mudanças na forma de pensar e na visão do mundo. A humanidade passou a perceber que os recursos naturais são finitos e que seu uso incorreto pode representar o fim de sua própria existência. Levando a ciência e a tecnologia a serem questionadas. Tais fatos demorariam a serem percebidos sem a utilização das bombas nucleares.

destruição causada pela bomba de Hiroshima


 Muitos afirmam que a guerra adiantou a nossa revolução tecnológica em dezenas de anos, muitos inventos só se tornaram necessários graças as disputas da época, onde procuravam ter os melhores equipamentos (corrida armamentista), sabemos também que foi um período importante para a indústria. A guerra foi um dos maiores estímulos dos pesquisador, para tanto muitos afirmam que sem guerra não há inovação.

A Segunda Guerra mundial nos afetou e continuará afetando. Podemos observar o caso de Berlim, Alemanha, onde acreditam que existem quase 3.000 bombas lançadas durante a guerra. Uma delas foi encontrada em abril deste ano e era de origem russa.

por Rafaela Konstantyner

bibliografia:
http://super.abril.com.br/cotidiano/se-segunda-guerra-mundial-nao-tivesse-acontecido-480280.shtml
http://noticiascomjoao.blogspot.com.br/2012/04/e-se-nao-tivesse-ocorrido-2-guerra.html
http://scienceblogs.com.br/massacritica/2009/07/primeira_usina_nuclear/
http://asegundaguerramundial.wordpress.com/2010/11/03/lado-bom-avancos-tecnologicos/
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/04/bomba-da-segunda-guerra-mundial-afeta-o-trafego-ferroviario-em-berlim.html
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/que-invencoes-de-guerra-a-gente-usa-hoje-em-casa
http://www.infoescola.com/historia/guerra-mundial/
http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=2459

Células de Combustível

Histórico:

No século XIX foi desenvolvida a primeira célula de combustível por Sir William Grove (dono do postulado que faz uma relação entre mecânica, calor, luz, eletricidade e magnetismo dentro da Lei da conservação de energia). O primeiro esboço foi publicado em 1843. Infelizmente as células de combustível não tiveram aplicação prática até 1960, quando então passaram a ser usadas no programa espacial americano para produzir eletricidade e água potável (hidrogênio e oxigênio fornecidos de tanques da aeronave).

As células adquiriam altas temperaturas rapidamente ao entrar em funcionamento, o que era um problema em muitas atividades. Porém os avanços tecnológicos em 1980 e 1990 com o uso do Nafion (um incrível condutor de cátions, é extremamente permeável e é um catalisador de super ácidos) como eletrólito e a redução na quantidade do caríssimo catalisador de platina tornou-se possível o uso das células por parte de consumidores do automobilismo por exemplo. Na atual fase de pesquisas a Casio pretende lançar uma célula de combustível DMFC para notebooks a ser alimentada com o álcool metanol, em substituição às baterias de lítio de uso de três horas para 20 horas com o álcool que após esgotado seria trocado o cartucho vazio por outro cheio. Por outro lado a MTI Micro pretende lançar um carregador de baterias movido a célula de combustível.


Reações:

Anódica => H2 → 2H+ + 2e

Catódica => ½O2 + 2H+ + 2e → H2O

Inquestionavelmente, a reação global da célula a combustível é:

Global => H2 + ½O2→ H2O

Aplicação: 

A alta eficiência das células de combustível é uma vantagem marcante em relação a outras formas de transformar energia química em energia elétrica, gerando baixíssimos danos ao meio ambiente. As células de combustível foram utilizadas com sucesso no programa espacial norte - americano: Gemini e Apollo. Atualmente é a melhor fonte de energia para ônibus espacial.

Os sistemas para propulsão de veículos (automóveis) devem ser diferentes dos usados em aplicações estacionárias, pois devem ser compatíveis com as restrições de espaço e peso no veículo e com a necessidade de tempos de resposta curtos.


Esquema:




Referências bibliográficas:

http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc15/v15a06.pdf
http://carros.hsw.uol.com.br/celula-combustivel.htm








21/09/2013

A Primeira Guerra Mundial (1914-18)

A I Guerra Mundial é o acontecimento que realmente dá início ao século XX, pondo fim ao que se convencionou chamar de Belle Epoque – 1871-1914: período em que as grandes potências européias não entraram em guerra entre si e a burguesia viveu sua época de maior fastígio, graças à expansão do capitalismo imperialista e à exploração imposta ao proletariado.

Os fatores que culminaram na I Guerra Mundial podem são: Disputa dos mercados internacionais pelos países industrializados, que não conseguiam mais escoar toda a produção de suas fábricas. Tal concorrência era particularmente acirrada entre a Grã-Bretanha e a Alemanha. Atritos entre as grandes potências devido a questões coloniais. Alemanha, Itália e Japão participaram com atraso da corrida neocolonialista e estavam insatisfeitos com as poucas colônias que haviam adquirido. A França alimentava em relação à Alemanha um forte sentimento de revanchismo, por causa da humilhante derrota sofrida na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, e desejava recuperar a região da Alsácia e Lorena, perdida para os alemães naquele conflito. A Itália, cujo processo de unificação política ocorrera no século XIX, desejava incorporar as cidades “irredentas” (não-redimidas) de Trento e Trieste, que continuavam em poder da Áustria-Hungria. O Reino da Sérvia aspirava à formação de uma Grande Sérvia; para tanto, pretendia anexar o vizinho Reino do Montenegro e as regiões da Bósnia-Herzegovina, Croácia e Eslovênia, pertencentes ao Império Austro-Húngaro. As ambições sérvias eram respaldadas pela Rússia, desejosa de consolidar sua influência nos Bálcãs para ter acesso ao Mar Mediterrâneo. Entre outras.
Antecedentes
Depois de unificar a Alemanha em torno do Reino da Prússia, dando origem ao II Reich (Império Alemão, 1871-1918), o chanceler Bismarck procurou tecer uma Política de Alianças com as demais potências européias, a fim de manter a França isolada e neutralizar o revanchismo francês. Essa política teve sucesso (exemplo: a União dos Três Imperadores, celebrada entre Alemanha, Áustria-Hungria e Rússia), mas foi abandonada após 1890, quando Bismarck se afastou da vida política.
O novo imperador da Alemanha, Guilherme II (conhecido como o Kaiser, 1888-1918), adotou uma política militarista que minou as relações com a Rússia e a Grã-Bretanha: a primeira irritou-se com o estreitamento da aliança entre Alemanha e Áustria-Hungria, além do apoio dado pelos alemães à Turquia; a Grã-Bretanha, já prejudicada com a concorrência industrial e comercial alemã, inquietou-se com os planos do Kaiser no sentido de criar uma poderosa marinha de guerra e construir uma ferrovia ligando Berlim a Bagdá (cidade do Império Otomano relativamente próxima do Golfo Pérsico).
Em consequência, houve um remanejamento de posições das potências européias. O resultado foi a formação de dois blocos opostos:
Tríplice Aliança: Alemanha, Áustria-Hungria ,império Turco-Otomano e Itália(aliado). Esta uniu-se à Alemanha em represália à França, que frustrara a pretensão italiana de conquistar a Tunísia.
Tríplice Entente: Inglaterra (Grã-Bretanha) (aliado), Sérvia, França e Rússia.
O período que antecedeu a eclosão da I Guerra Mundial é conhecido pelo nome de Paz Armada, pois as grandes potências, convencidas da inevitabilidade do conflito e até mesmo desejando-o, aceleraram seus preparativos bélicos (exceto a Itália, que não estava bem certa do que iria fazer).

O início da guerra
Disputa por hegemonia Sérvia X Bósnia X Potências Imperialistas. Sérvia potência eslava aliada da Rússia (ameaça a Áustria, Alemanha e a Turquia).
Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo, herdeiro do trono austro-húngaro, visitava Sarajevo, capital da Bósnia, com sua esposa, quando ambos foram assassinados por um jovem bósnio cristão ortodoxo (a imensa maioria dos bósnios era muçulmana), partidária da união com a Sérvia. A Áustria-Hungria, alegando envolvimento do governo sérvio no crime, apresentou uma série de exigências que foram rejeitadas pela Sérvia. Por causa disso, em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. No dia seguinte, a Rússia pôs suas tropas em estado de prontidão, e a Alemanha fez o mesmo em 30 de julho. Na madrugada de 1º de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia, sendo imitada pelo governo austro-húngaro.
Grã-Bretanha e França, surpreendidas pela rapidez dos acontecimentos, não se moveram. Mas a Alemanha, declarou guerra à França em 3 de agosto. Na madrugada de 4, as tropas alemãs invadiram a Bélgica – que era neutra – para surpreender os franceses com um ataque vindo de direção inesperada. A Bélgica, militarmente fraca, não conseguiria conter os invasores, os quais deveriam alcançar rapidamente o Canal da Mancha. Alarmado com essa perspectiva, o governo britânico declarou guerra à Alemanha na noite de 4 de agosto.



A Primeira Guerra Mundial (1914-18)
Em uma semana, o que deveria ser mais um conflito balcânico transformara-se em uma guerra européia. A Itália somente entrou na luta em 1915; mas fê-lo contra a Alemanha e Áustria-Hungria, porque Grã-Bretanha e França lhe prometeram – e depois não cumpriram – que os italianos ganhariam algumas colônias alemãs na África (além de Trento e Trieste, naturalmente).



Durante a I Guerra Mundial, os blocos em conflito mudaram de denominação, passando a ser conhecidos como:



Impérios Centrais: Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia e Bulgária.



Aliados: Sérvia, Rússia, França, Bélgica, Grã-Bretanha, Japão, Itália, Romênia, EUA, Brasil etc.



O desenrolar do conflito



O plano de campanha dos alemães previa uma guerra em duas frentes; mas priorizava a Frente Ocidental (contra os anglo-franceses), ainda que isso significasse perdas territoriais temporárias na Frente Oriental (contra os russos). Assim, o Kaiser e seus generais esperavam derrotar rapidamente seus inimigos do oeste, para depois voltar suas forças contra os russos.



Na Frente Ocidental, a I Guerra Mundial apresenta duas fases bem diferenciadas:



Guerra de movimento (agosto/novembro de 1914): Os alemães ocuparam quase toda a Bélgica e também o norte da França. Mas não conseguiram tomar Paris nem dominar a costa francesa no Canal da Mancha.



Guerra de trincheiras (novembro de 1914/março de 1918): Durante quase dois anos e meio, as linhas de combate estabilizaram-se e os exércitos adversários procuraram abrigar-se em um complexo sistema de trincheiras onde passaram praticamente a morar – convivendo com ratos, parasitas e ainda com a lama ou o pó, o frio ou o calor, conforme a estação do ano. Protegidas por intrincadas redes de arame farpado e por ninhos de metralhadora, eram posições muito difíceis de conquistar. Os comandantes de ambos os lados, não preparados para essa nova realidade, continuaram durante muito tempo a ordenar ataques frontais de infantaria, perdendo dezenas de milhares de homens para avançar alguns quilômetros. O exemplo mais dramático desse inútil sacrifício de vidas foi a luta pelas posições fortificadas francesas de Verdun. A luta, que se arrastou por dez meses em 1916, provocou mais de um milhão de mortes e, no final, as posições eram as mesmas quando do início da batalha.



Na Frente Oriental, o chamado “rolo compressor russo” (o maior exército do mundo) obteve algumas vitórias iniciais, mas depois teve de recuar diante dos alemães e austro-húngaros. O exército czarista era mal armado, mal organizado e mal comandado; mesmo assim, tentou contra-ofensivas em 1915 e 1916, sofrendo baixas terríveis. No começo de 1917, os Impérios Centrais controlavam firmemente a Polônia, a Lituânia, a Letônia e parte da Bielo-Rússia (todos esses territórios faziam parte do Império Russo).



Na África e no Pacífico, a maioria das colônias alemãs caiu rapidamente em poder dos Aliados. No Oriente Médio, um exército britânico passou a operar contra os turcos a partir de 1917; foi auxiliado por um levante das tribos da Arábia, estimuladas pelo célebre agente inglês Thomas Lawrence, conhecido como “Lawrence da Arábia”.



No Mar do Norte, a esquadra alemã defrontou-se com a britânica na Batalha da Jutlândia (1916), mas não conseguiu romper o bloqueio marítimo imposto pelos Aliados.



A Primeira Guerra Mundial (1914-18)



1917: o ano decisivo



A Alemanha possuía a maior frota de submarinos entre os países beligerantes. Entretanto, os comandantes dessas embarcações vinham se abstendo de torpedear navios de passageiros (ainda que de bandeira inimiga) e quaisquer navios de países neutros. A exceção foi o transatlântico inglês Lusitania, torpedeado em 1915 e que explodiu – provavelmente por estar transportando secretamente munições norte-americanas para a Inglaterra.
Em janeiro de 1917, o governo alemão anunciou que iria iniciar uma campanha submarina “sem restrições”; ou seja, seus submarinos torpedeariam quaisquer navios que tentassem alcançar portos franceses ou britânicos. Essa decisão complicou a situação dos Aliados, pois a Grã-Bretanha dependia de fornecimentos marítimos para sua própria sobrevivência.



Em março de 1917, estourou a Revolução Russa. O czar Nicolau II foi derrubado e um governo provisório liberal (formado por aristocratas e burgueses) assumiu o poder. Oficialmente, a Rússia continuou na guerra contra a Alemanha; mas seus soldados, esgotados e desmoralizados, praticamente pararam de combater. Essa circunstância poderia permitir aos alemães deslocarem tropas para a frente ocidental, derrotando definitivamente ingleses e franceses.



No decorrer da guerra, os Estados Unidos haviam-se tornado os grandes fornecedores dos Aliados, aos quais vendiam desde alimentos até armas e munições. Grã-Bretanha, França e outros países tinham acumulado débitos enormes junto aos empresários norte-americanos, os quais não poderiam suportar o fantástico prejuízo advindo de uma possível derrota anglo-francesa.



Por essa razão, em 6 de abril de 1917, tomando como pretexto o afundamento de cinco navios norte-americanos por submarinos alemães, o presidente Wilson (o mesmo que em janeiro daquele ano divulgara seus 14 pontos para uma paz justa), declarou guerra aos Impérios Centrais. Como o país não tinha serviço militar obrigatório, foram necessários dez meses para treinar um enorme exército que pudesse operar na Europa. Mas a marinha de guerra norte-americana entrou imediatamente na luta contra os submarinos alemães, aliviando a grave situação dos ingleses.



1918: Cronologia do término do conflito



Fevereiro: Chegada das primeiras tropas norte-americanas à França.



Março: O governo bolchevique (comunista) russo, que fora instaurado em novembro de 1917, assina o Tratado de Brest-Litovsk com a Alemanha, retirando a Rússia da guerra. No mesmo mês, os alemães iniciam uma última ofensiva na frente ocidental, mas mais uma vez não conseguem tomar Paris.



Julho: Contra-ofensiva aliada na França. Os alemães começam a bater em retirada.



Setembro: Capitulação (rendição) da Bulgária.



Outubro: Capitulação da Turquia.



Novembro: O Império Austro-Húngaro desintegra-se no dia 3. Áustria e Hungria assinam armistícios (acordos de cessar-fogo) separados. No dia 9, irrompe uma revolução republicana na Alemanha; fuga do Kaiser Guilherme II. No dia 11, o novo governo alemão assina um armistício com os Aliados, na expectativa de serem observados os “14 Pontos” de Wilson (expectativa frustrada pela dureza das condições impostas pelos vencedores).



Os tratados de paz



Em 1919, reuniu-se a Conferência de Paz de Paris, para a qual somente a Rússia não foi convidada. Todavia, em vez de discussões amplas e abertas entre todos os envolvidos na Grande Guerra (nome dado ao conflito de 1914-18 até 1939, quando começou a II Guerra Mundial), os tratados de paz foram elaborados pelos Três Grandes – Wilson, dos EUA; Lloyd George, da Grã-Bretanha; Clemenceau, da França – e impostos aos países vencidos.



O tratado mais importante foi o de Versalhes, que a Alemanha foi obrigada a assinar. Eis suas cláusulas mais importantes:



A Alemanha foi considerada a única responsável pela eclosão da guerra.
Foram perdidas todas as colônias e vários territórios alemães na Europa (principais: a Alsácia-Lorena, restituída à França; o Corredor Polonês, que dividiu a Alemanha em duas partes; o porto de Danzig, transformado em cidade-livre).



Limitações militares: proibição do serviço militar obrigatório e da produção de aviões de combate, tanques, canhões gigantes, navios de guerra de grande porte e submarinos, além da limitação do exército alemão a 100 mil homens.
Pagamento de pesadíssimas reparações de guerra.



As duras (e injustas) condições do Tratado de Versalhes geraram entre os alemães um profundo ressentimento, responsável em grande parte pela ascensão de Hitler ao poder– o que acabaria levando à II Guerra Mundial.



Consequências da I Guerra Mundial



11 milhões de mortos (destes, 8 milhões eram combatentes).
Fim dos impérios Russo, Austro-Húngaro, Alemão e Otomano.
Surgimento de novos Estados europeus:
Do desmembramento do Império Austro-Húngaro: Áustria, Hungria, Checoslováquia e Iugoslávia (nome oficial da “Grande Sérvia”, criado em 1931).
Do desmembramento do Império Russo:
URSS, Finlândia, Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia.
Crise econômica generalizada, com especial gravidade na URSS, Itália e Alemanha.
Surgimento dos regimes totalitários, tanto de esquerda (comunismo) como de direita (fascismo).
Ascensão dos EUA à posição de maior potência mundial.
Criação da Sociedade das Nações ou Liga das Nações – um dos poucos itens dos “14 Pontos” que foram aproveitados.
Existência de minorias étnicas com tendência separatista em vários países da Europa Central e Oriental, criando graves focos de tensão.
A Primeira Guerra Mundial (1914-18)



O fim da Primeira Guerra Mundial está ligado ao início da Segunda, pois as perdas territoriais alemãs iriam servir de justificativa para o expansionismo nazista. Na foto, um desfile das unidades SS (força de elite da Alemanha Nazista).



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Em uma semana, o que deveria ser mais um conflito balcânico transformara-se em uma guerra européia. A Itália somente entrou na luta em 1915; mas fê-lo contra a Alemanha e Áustria-Hungria, porque Grã-Bretanha e França lhe prometeram – e depois não cumpriram – que os italianos ganhariam algumas colônias alemãs na África (além de Trento e Trieste, naturalmente).
Durante a I Guerra Mundial, os blocos em conflito mudaram de denominação, passando a ser conhecidos como:
Impérios Centrais: Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia e Bulgária.
Aliados: Sérvia, Rússia, França, Bélgica, Grã-Bretanha, Japão, Itália, Romênia, EUA, Brasil etc.
O desenrolar do conflito
O plano de campanha dos alemães previa uma guerra em duas frentes; mas priorizava a Frente Ocidental (contra os anglo-franceses), ainda que isso significasse perdas territoriais temporárias na Frente Oriental (contra os russos). Assim, o Kaiser e seus generais esperavam derrotar rapidamente seus inimigos do oeste, para depois voltar suas forças contra os russos.
Na Frente Ocidental, a I Guerra Mundial apresenta duas fases bem diferenciadas:
Primeira fase
Guerra de movimento (agosto/novembro de 1914): Os alemães ocuparam quase toda a Bélgica e também o norte da França. Mas não conseguiram tomar Paris nem dominar a costa francesa no Canal da Mancha.
Segunda Fase
Guerra de trincheiras (novembro de 1914/março de 1918): marcado pelo imobilismo característico da tática de trincheiras. Uso de minas terrestres, aviões e armas químicas. Início das críticas e oposição á guerra. O exemplo mais dramático desse inútil sacrifício de vidas foi a luta pelas posições fortificadas francesas de Verdun. A luta, que se arrastou por dez meses em 1916, provocou mais de um milhão de mortes e, no final, as posições eram as mesmas quando do início da batalha.
Na Frente Oriental, o chamado “rolo compressor russo” (o maior exército do mundo) obteve algumas vitórias iniciais, mas depois teve de recuar diante dos alemães e austro-húngaros. O exército czarista era mal armado, mal organizado e mal comandado; mesmo assim, tentou contra-ofensivas em 1915 e 1916, sofrendo baixas terríveis. No começo de 1917, os Impérios Centrais controlavam firmemente a Polônia, a Lituânia, a Letônia e parte da Bielo-Rússia (todos esses territórios faziam parte do Império Russo).
Na África e no Pacífico, a maioria das colônias alemãs caiu rapidamente em poder dos Aliados. No Oriente Médio, um exército britânico passou a operar contra os turcos a partir de 1917; foi auxiliado por um levante das tribos da Arábia, estimuladas pelo célebre agente inglês Thomas Lawrence, conhecido como “Lawrence da Arábia”.
No Mar do Norte, a esquadra alemã defrontou-se com a britânica na Batalha da Jutlândia (1916), mas não conseguiu romper o bloqueio marítimo imposto pelos Aliados.



1917: o ano decisivo
A Alemanha possuía a maior frota de submarinos entre os países beligerantes. Entretanto, os comandantes dessas embarcações vinham se abstendo de torpedear navios de passageiros (ainda que de bandeira inimiga) e quaisquer navios de países neutros. A exceção foi o transatlântico inglês Lusitania, torpedeado em 1915 e que explodiu – provavelmente por estar transportando secretamente munições norte-americanas para a Inglaterra.
Em janeiro de 1917, o governo alemão anunciou que iria iniciar uma campanha submarina “sem restrições”; ou seja, seus submarinos torpedeariam quaisquer navios que tentassem alcançar portos franceses ou britânicos. Essa decisão complicou a situação dos Aliados, pois a Grã-Bretanha dependia de fornecimentos marítimos para sua própria sobrevivência.
Em março de 1917, estourou a Revolução Russa. O czar Nicolau II foi derrubado e um governo provisório liberal (formado por aristocratas e burgueses) assumiu o poder. Oficialmente, a Rússia continuou na guerra contra a Alemanha; mas seus soldados, esgotados e desmoralizados, praticamente pararam de combater. Essa circunstância poderia permitir aos alemães deslocarem tropas para a frente ocidental, derrotando definitivamente ingleses e franceses.
No decorrer da guerra, os Estados Unidos haviam-se tornado os grandes fornecedores dos Aliados, aos quais vendiam desde alimentos até armas e munições. Grã-Bretanha, França e outros países tinham acumulado débitos enormes junto aos empresários norte-americanos, os quais não poderiam suportar o fantástico prejuízo advindo de uma possível derrota anglo-francesa. O EUA foi o grande beneficiário da guerra, pois acumulou imensas fortunas como principal fornecedor dos aliados, o que gerou o famoso’’ anos dourados” que mais tarde se tornaria uma crise de superprodução.
Em 6 de abril de 1917, tomando como pretexto o afundamento de cinco navios norte-americanos por submarinos alemães, o presidente Wilson (o mesmo que em janeiro daquele ano divulgara seus 14 pontos para uma paz justa), declarou guerra aos Impérios Centrais.
1918: Cronologia do término do conflito
Fevereiro: Chegada das primeiras tropas norte-americanas à França.
Março: O governo bolchevique (comunista) russo, que fora instaurado em novembro de 1917, assina o Tratado de Brest-Litovsk com a Alemanha, retirando a Rússia da guerra. No mesmo mês, os alemães iniciam uma última ofensiva na frente ocidental, mas mais uma vez não conseguem tomar Paris.
Julho: Contra-ofensiva aliada na França. Os alemães começam a bater em retirada.
Setembro: Capitulação (rendição) da Bulgária.
Outubro: Capitulação da Turquia.
Novembro: O Império Austro-Húngaro desintegra-se no dia 3. Áustria e Hungria assinam armistícios (acordos de cessar-fogo) separados. No dia 9, irrompe uma revolução republicana na Alemanha; fuga do Kaiser Guilherme II. No dia 11, o novo governo alemão assina um armistício com os Aliados, na expectativa de serem observados os “14 Pontos” de Wilson (expectativa frustrada pela dureza das condições impostas pelos vencedores).
Os tratados de paz
Em 1919, reuniu-se a Conferência de Paz de Paris, para a qual somente a Rússia não foi convidada. Todavia, em vez de discussões amplas e abertas entre todos os envolvidos na Grande Guerra (nome dado ao conflito de 1914-18 até 1939, quando começou a II Guerra Mundial), os tratados de paz foram elaborados pelos Três Grandes – Wilson, dos EUA; Lloyd George, da Grã-Bretanha; Clemenceau, da França – e impostos aos países vencidos.
O tratado mais importante foi o de Versalhes, que a Alemanha foi obrigada a assinar. Eis suas cláusulas mais importantes:
A Alemanha foi considerada a única responsável pela eclosão da guerra.
Foram perdidas todas as colônias e vários territórios alemães na Europa (principais: a Alsácia-Lorena, restituída à França; o Corredor Polonês, que dividiu a Alemanha em duas partes; o porto de Danzig, transformado em cidade-livre).
Limitações militares: proibição do serviço militar obrigatório e da produção de aviões de combate, tanques, canhões gigantes, navios de guerra de grande porte e submarinos, além da limitação do exército alemão a 100 mil homens.
Pagamento de pesadíssimas reparações de guerra.
As duras (e injustas) condições do Tratado de Versalhes geraram entre os alemães um profundo ressentimento, responsável em grande parte pela ascensão de Hitler ao poder– o que acabaria levando à II Guerra Mundial.
Consequências da I Guerra Mundial
• 11 milhões de mortos (destes, 8 milhões eram combatentes).
• Fim dos impérios Russo, Austro-Húngaro, Alemão e Otomano.
• Crise econômica generalizada, com especial gravidade na URSS, Itália e Alemanha.
• Surgimento dos regimes totalitários, tanto de esquerda (comunismo) como de direita (fascismo).
• Ascensão dos EUA à posição de maior potência mundial.
•Existência de minorias étnicas com tendência separatista em vários países da Europa Central e Oriental, criando graves focos de tensão.